De espalhar letras no papel. Coloridas, brincalhonas, gordachudinhas ou magricelas. Quando eu era pequena, ganhei uma caneta onde havia quatro cores: verde, vermelha, azul e preta. Foi a descoberta do paraíso. Nas últimas folhas do caderno escrevi cem vezes o meu nome, cada qual de uma cor, cada qual de um tamanho diferente. Como se isto não bastasse, a transição do caderno para o diário se deu num pulo. Se houvesse esperança: verde! Se houvesse decepções: vermelha! Caso tudo voltasse ao normal: azul! Num repente, um luto infinitamente longo: preta! Cores se misturavam num mosaico interminável, absoluto, inenarrável. Como toda euforia, mais cedo do que tarde, se dissolve no ar: passou! Voltei ao velho lápis de guerra, à caneta Bic, ao lápis de cor, ao giz de cera (esporádico, por sua condição de preencher desenhos balofos e ilustrativos). Mas, não por falta da celulose, menos ainda por falta de grafite, que havia letrinhas espalhadas por toda parte, também escritas em giz pelos quadros negros das salas de aulas do primeiro e do segundo andar. Pelo chão do pátio, cimentado e grosso, resquícios de amarelinhas – sem autoria- eram minhas, claro. Nas paredes, nada havia que fosse obra minha. Eram, isto sim, o ponto final de minhas crises letrísticas – e artísticas. Escrever, para mim, sempre foi uma arte. Não aquela que leva à vergões no traseiro, ou à marcas de milho nos joelhos, ou às amargas lembranças dos beliscões. Não! Minhas escrevinhações sempre vinham do coração, passavam por meus pensamentos, saltavam pelos dedos da mão e iam parar direto na contramão da quietude emocional. Hoje, debruçam comigo sobre os quadradinhos pequeninos do teclado esbranquiçado, pulam para dentro de um mundo virtual, rodopiam quase que invisíveis aos olhares mais irrequietos que aflitos – de internautas desavisados. Não há como impedi-las de escapulir entre meus dedos. Mais difícil ainda, é contê-las dentro de um coração amigável, descompassado pela paixão de não conter-se, descontentando-se continuamente a si.
Sol:]


Não sinta falta: escreva!!!! Adorei!