É singular!!! Possuidor de estratégias tais que o aproximam dos extremos em instantes intermináveis! Tão logo nossos caminhos foram cruzados, numa primeira - sabe-se lá, segunda vez - percebi tratar-se de um pretenso, e provável, bem sucedido monarca. Não fossem as manifestações – claramente representadas – em sua suas ações não lapidadas, ele resplandeceria disciplina e dedicação extremada, inerente a toda posição de poder. Não consigo, entretanto, destituí-lo de recursos tais que possam transformá-lo – com o passar dos anos – em elemento de constante destaque. Percebo o quanto lhe pesa aos ombros, tal fardo! Sua desenvoltura – inexistente ao caminhar – não o desprotege de certa fidalguia, acompanhando-lhe os passos. As ranhuras perceptíveis na voz, nem por isso tornam sua dicção menos potente – apenas sobrepõe-se à firmeza necessária ao tom de vozes da realeza. Haveria de ser um cavalheiro, não fossem as armaduras que insiste em vestir, a lhe impedir os movimentos, em prol de tal ato! Deslizaria pelos salões de seus domínios com refinamento, não fossem os desvios de conduta que insiste em manter, enquanto baila! O castelo em que habita é escuro, impossibilitado de possuir janelas que revelem a luz dos dias! Por motivo tal, provavelmente, o bolor domina – na maior parte do tempo – os ambientes, comum a todos os seus súditos, enegrecendo-lhes pensamentos e ações. Sinto a protegê-lo – de ataques sutis, imperceptíveis aos olhos humanos – apenas o olhar atento de Deus! Sua aparente maturidade, não impede cobiça de outrem, por seu poder tão juvenil. Suscetível tornar-se-ia, assim, caso revelasse sua capacidade de recriar a ternura, da qual foi concebido ao nascer! Pedi-lhe, certa vez, que não aumentasse – consideravelmente – os muros que erguera entre nós! Sua negativa em fazê-lo, não foi capaz de impedir o erguimento ágil e igualitário, das minhas próprias trincheiras! Das quais, por vezes – desnecessária e impensadamente – partiram flechas de um arqueiro experiente aos olhos dos homens, aprendiz aos olhos de Deus – cuja trave não retirou dos olhos antes de lançá-las contra o cisco nos olhos do seu aparente opositor! Imagino-o, neste exato instante, caminhando liberto pelas vielas do seu grande e imperioso castelo, ainda com passadas majestosas. Do lado de fora dos imponentes portões, a visão que possuo tornou-se menos estreita que a ponte levadiça, pela qual fui imposta, pelo destino, a sair! Percebo com mais clareza, agora, que o olhar segura a palavra em nós. E que o “Rei dos Unos”- por jamais ter me mirado nos olhos – permitiu o derramamento das palavras no fel do vão, no abandono que desprotege, na passagem sem volta ao mundo real! Sempre compreendo o que faço depois que já fiz. Creio, seja defeito de nascimento, isso! O que não me impede de admitir que “nada sei” sobre grandes acontecimentos e sobre os pequenos, menos ainda. Porém, sobre este príncipe-rei, do qual tentei ser vassala, somente restou ternura imensa por seu desejo de engrandecimento e domínio absoluto! Das terras por onde caminharei livremente, hei de cantar seu nome com ardor indestrutível. Canções que falem da paz que desejei – e que desejarei – lhe cheguem aos ouvidos da alma, eternamente aliviando-lhe de tão inexorável destino!
Pudesse eu, transformar tons de cinza em colorido sutil, o faria dentro dos “olhos-do-mundo-dos-homens”, a fim de que pudessem resistir aos ventos terrenos, sem que necessitassem se juntar a eles!
Sol:]
