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Há mais de uma semana? Não, creio que não! Eu nem disse adeus. Mal joguei duas das minhas Jeans prediletas na mochila, a escova de dente – quase vencida, aquela velha revista amarrotada, de palavras cruzadas, que nem espiando na última página, terminei. Pequenas miudezas, grandes tristezas, muitas recordações. Pareço mais com um daqueles tipos estranhos, que ameaçam se atirar do meio fio e ainda olham para trás pra ver se alguém ta dando à mínima. Ledo engano! Meus amigos andam ocupados com seus próprios meio-fios. Com lágrimas de crocodilo, de elevador, de travesseiro, sei lá! Sabe como é? Aquela coisa de tô-nem-aí-mas-tô-aqui? É como comer dobradinha – que adoro – na hora da janta, pra durar a eternidade de uma noite bem dormida, pesada, do tipo que não acaba nunca! Claro, levantando de manhã com uma baita ressaca de quem comeu o que não devia e ainda tem de fazer de conta que foi caviar. E o dia lá, quente, aceso, mais ligado que radinho de pilha em dia de jogo de decisão! Pra que mentir? Fui mesmo é dar uma volta no mundo, pra ver se o mundo ainda tem eira, ou beira, ou um bocadinho que seja de lugar para ficar, e amar, e brincar de ser feliz! É… By, by, baby! By, by!!!

Sol:]

 

 Escutando a Blitz… que ressurgiu das cinzas… que nem Fênix! rs 

blitz

 

Tenho o hábito maluco de falar sozinha! E foi sozinha que o criei, pois me parecia normal falar comigo mesma. De uns meses para cá, tenho mudado meu estranho modo de ser: falo com o Godofredo (Godô, para os mais íntimos); com a Margarida (graaande companheira das horas difíceis); com o Teobaldo (sempre que ele resolve empacar, que nem uma mula); com a Visionária (apesar de que, ela já aprendeu a falar sozinha desde que chegou aqui) e, de uns dias para cá, com o Adamastor (este sim tem me tirado do sério). De todos, o que mais toca fundo meu coração é o Catulo (tira meus pés do chão e me dá asas). Ah…. nem ousaria me esquecer da Matilde (a boneca mais menina que conheço). Mas, como não poderia deixar de ser, algum amigo eu deveria ter, que não precisasse ganhar vida pela minha imaginação: o Ferrugem! Este, silenciosamente faz-me companhia, dia e noite, noite e dia, até que alguma coisa nos separe. Por enquanto, esta coisa de “separação” não é papo para nós dois. Temos muito mais o que dizer um ao outro… por hora. Bem… voltemos ao Adamastor. Posso descrevê-lo assim: é baixinho, meio que gordinho, meio que pesadinho e bastante resistente para sua funcionalidade. Doze anos de existência parece-me tempo considerável para sua função, creio eu! Sempre esteve comigo com a finalidade exclusiva de desempenho rápido e eficiente, ainda que questionável sua segurança para minha saúde. De lá pra cá, ia bem tranquilinho quando eu o punha para exercer funções como: esquentar, manter aquecido, descongelar. Mas, agora que preciso dele para alimentar todas minhas necessidades diárias de sobrevivência, tem dado com os burros n’água: potencializa o que não me serve – queimando, e mantém cru o que preciso – ao ponto. Ameacei ignorá-lo, aposentá-lo, esquecê-lo de vez! Mas, pobre de mim, que nada serei sem que ele seja, também! Simples assim… tomei decisão imediatista: fucei gaveta, esparramei papeletas e encontrei seu manual. Hoje, meu almoço foi melhor que o de ontem. Amanhã, certamente, será melhor que o de hoje. Resta mesmo é saber até quando terei com o que encher a barriga oca, na potência HI, deste utilitário-amigo-de-fé, meu irmão, camarada, Adamastor!

peixinhomicroondas

 PS:. Para os incultos do bom humor, das horas difíceis de percorrer, neste mundo-de-meu-Deus, elucido:

Godofredo (Godô): meu computador “Frankenstein”, nascido das carcaças dos computadores do meu filho, Leo Sam, o Grande!

Margarida: minha máquina de lavar roupas, Brastemp, Plenomática, nascida em mil-novecentos-e-cafunga!

Teobaldo: Meu relógio de parede, que, de tempos pra cá, resolveu funcionar somente deitado. Cansou de contar as horas, assim como eu, creio!

Visionária: minha super TV 14 polegadas, de imagem perfeitamente coloridas. Diziam que não sobreviveria tanto tempo, mas… é a pequena mais potente que já tive em mãos!

Matilde: Minha boneca de pano, confeccionada por inúmeras mãozinhas infantis, adquirida num bazar beneficente (por uma amiga), que não a quis e a deu para mim. Hoje, a principal personagem do primeiro livro infantil que escrevi!

Catulo: Meu violão de seis cordas, que batizei assim em homenagem ao Catulo da Paixão Cearense, de quem o mundo contemporâneo nem ouviu falar, mas… que descreveu magnificamente sua própria viola!

Adamastor: meu querido amigo, o Microondas mais perfeito do mundo! Tem substituído com galhardia meu fogão a gás… cujo gás resolveu acabar exatamente no meio do meu sossego… breve intervalo na minha mais nova recessão particular, espero eu!

Ferrugem: único que não precisou ganhar vida… pois, já veio com ela: meu peixinho Betta!

Ah… e antes que pensem que enlouqueci de solidão (palavra inexistente no dicionário da minha humilde existência), saibam: Nem por um instante me esqueceria do saudoso Lion. Carro que conduzia a mim e minha família, ainda que aos trancos-e-barrancos!

Creiam-me: bastava alguns minutinhos de laboriosa argumentação sobre seu capô, para que ele voltasse a roncar, ameaçando restinho de vida dentro de sua carcaça velha e utilitária!

É… quem foi que disse que o cachorro é o único amigo do Homem, hem?! rs.

Sol:]

 

Véspera de feriado, nesta cidade aconchegante e conservadora, entre feltros, fitas e boa música, em plena primavera de 2009!

O Matuto

Veio rodopiando pela estradinha, driblando montinhos do que haveria de ser, mais tarde, esterco! Voltava do aglomerado que se tornara o povoado, por causa da Nossa Senhora dos Aflitos. Havia se vestido de festa, desembrulhado o terno do seu avô – herdado logo após o enterro miudinho – sem carpideiras, sem flores, nada além de lamentos parcos e orações cochichadas entre os dentes dos vizinhos. Valeu-lhe, pois, tê-lo muvucado entre as telhas carcomidas pelo tempo, perto do rolo de fumo e os trocados para a feira. Não sabia ter valido mesmo, as horas gastas na caminhada íngreme, até a festa-do-mundo-dos-homens! Parecia invisível – por que não dizer – inexistente aos olhares mortais. Os sapatos lhe apertavam os pés de tal forma, como se fossem novinhos em folha, não como se fossem os mesmos que ganhara outrora, aos vinte e poucos anos de capina e solidão. Não havia mais ninguém que testemunhasse seus esforços em parecer melhor do que pensava ser, refletia! Talvez tenha sido a falta de jeito em vestir-se adequadamente, conforme pedia a ocasião! Ou, quem sabe, o chapéu não lhe tenha coberto adequadamente o cabelo, desalinhado e ralo? A ausência da água de colônia talvez nem tenha sido notada, nem a rusticidade de sua compostura, nem nada! Tudo devido à ventania forte, surgida sabe-se-lá-de-onde, arrancando as bandeirolas da porta da igrejinha, expondo os pudores das mocinhas, lambendo as saias de chita, apagando risinhos assanhados. Quisera ele, ter tido coragem de enrabichar-se em meio à correria, por entre as pernas das moças – desculpa feitinha sob encomenda, para a ocasião de pânico. Mas a Senhora dos Aflitos pôs tudo a perder quando resolveu escapulir do andor, esborrachar-se na escadaria, afrontar devotos da romaria, arregalar os olhos do padre tal qual fosse heresia. Tanto empenho em parecer gente de verdade, para quê?! A chuvarada desceu suas águas como se fosse pela última vez! Desarrumou a vontade de festejo raro, apagou os pensamentos pecaminosos das raparigas, desanuviou do ar as conversas fiadas e as intrigas, sabotou as ave-marias, lavou o chão empoeirado e as latrinas! Ôxe, deixa estar, deixa estar! Dia virá em que o roçado dará mais flor, ele, enricado, será “meior” e maior que a dor. E a festança que fará nas suas terras-a-perder-de-vista, será lembrada por muito tempo! No entanto, naquele momento, queria mesmo era: uma rede, a fim de deitar sua ossatura gasta; menos barro na malfadada estrada; menos “marvada” e árida, a sua estranha sina!

Sol:]

caipira-picando-fumo

A vida é assim: tece, enreda, aprisiona e solta! Tece histórias com a delicadeza de um bordado primoroso, entrelaça acontecimentos diversos, prende nossos pés à Terra até que terminemos o plantio pré estabelecido… ou não! Liberta-nos das correntes que nos atam à matéria e nos eleva ao mais alto grau de aperfeiçoamento possível, logo após a colheita! O plantio nada mais terá sido que a espera operante dos resultados. A colheita, o resultado irrevogável da experiência humana. Em ambos os casos, nada será desperdiçado durante o percurso. Tudo o que haja capaz de incitar-nos em direção ao aperfeiçoamento, será, definitivamente, utilizado. Desconheço passos, idos em qualquer direção, que sejam capazes de apagar definitivamente, as marcas deixadas no caminho percorrido. Ainda que indelével pareçam, sempre estarão impregnados por toda a parte. Os roteiros traçados pelos seres humanos serão retratados num quadro, com imagens – distorcidas ou não – da realidade individual e da soma dos resultados coletivos. Características básicas de toda criação, os autores serão reconhecidos por suas obras! A cada demonstração de poder ou de submissão, gravados ficarão nos homens, os resquícios daquilo que for danificado – ou construído – por eles. Elementar se tornará a necessidade de remanejamento, reestruturação, reerguimento, em prol de evoluções de qualquer natureza. A vida jamais será a mesma, para quem quer que seja, sem etapas diversas, laboriosos instrumentos de lapidação e desejo de que ela seja eterna dentro de cada um. Se viemos da luz, para ela voltaremos! Trilhando o caminho das estrelas, revolucionando a história dos mundos! 

Sol:]

É Fato!

“Não se escolhe a quem se ama! Mas, sim, o amor de quem, aceitar!”

Rapa Nui

Sol:]

LAVANDAÉs diferente!
És diferente de tudo que tenho encontrado entre dias afins!

Sinto isto através do vento que entra por minha janela…
Com o som dos sinos e o odor de lavanda…
Suas roupas frescas, úmidas, presas ao varal…

O amor não pode ser medido…
Não é grande, nem pequeno…
Apenas finge estar guardado, até que o revelemos puro e cálido…

Vives das delícias que tua arte te proporciona…
Vives das recentes descobertas do que já conheces…
Vives daquelas que lhes despertam os sentidos…

És diferente!
És diferente de tudo que tenho encontrado entre dias afins!

Gostas daquilo que não se confessa, que não desperta instantaneamente…
Gostas da proximidade, de compartilhar pequenas doçuras…
Gostas daquilo em que te comprazes…

Sinto isto através do vento que entra por minha janela…
Com o som dos sinos e o odor de lavanda…
Suas roupas frescas, úmidas, presas ao varal…

Adormeço entre lençóis macios e adocicados…
Um novo dia descortinará teu rosto entre outros…
E, dentro dos meus olhos, apenas os seus!

Sol:]

http://www.youtube.com/watch?v=5YDdcls5hNw

 

Ando sem inspiração

Ando meio que sem bondade

Ando como quem tem vontade

De sumir

 

Ando sem redenção

Ando como quem tropeça muito

Ando como quem perdeu o prumo

Da razão

 

Ando sem motivação

Ando mesmo sem vantagem

Ando como quem já vai tarde

Na multidão

 

Ando meio sem noção

Ando meio que sem destino

Ando meio que perdido

Na contramão

 

Ando… que andar exige canção

Ando… que andar é meio – cair

Ando… sem nunca deixar de ouvir

O repique no coração

 

Sol:]

Centelha!

Surgiu do nada, como que por encanto! Desdobrou-se em cantos, submeteu-me a testes. Aprovada neles, percebi, vivia. Busquei noite adentro sua geografia. Inexatas formas, porém quentes, finas. Tuas mãos nas minhas, pequena ousadia. Minha boca e a tua: numa, o cálido, noutra, textura. Envolta por ti, rastreei minha rota. Breve embriaguez que entontece, provoca. Arrancando dos pés, raízes quase mortas. A partir de ti, me apresento pronta. A centelha que arde iluminada chama. Que desejar seja um rito, menor que fogueira. Maior que partir ao desmistificar fronteiras!

Sol:]

É singular!!! Possuidor de estratégias tais que o aproximam dos extremos em instantes intermináveis! Tão logo nossos caminhos foram cruzados, numa primeira - sabe-se lá, segunda vez - percebi tratar-se de um pretenso, e provável, bem sucedido monarca. Não fossem as manifestações – claramente representadas – em sua suas ações não lapidadas, ele resplandeceria disciplina e dedicação extremada, inerente a toda posição de poder. Não consigo, entretanto, destituí-lo de recursos tais que possam transformá-lo – com o passar dos anos – em elemento de constante destaque. Percebo o quanto lhe pesa aos ombros, tal fardo! Sua desenvoltura – inexistente ao caminhar – não o desprotege de certa fidalguia, acompanhando-lhe os passos. As ranhuras perceptíveis na voz, nem por isso tornam sua dicção menos potente – apenas sobrepõe-se à firmeza necessária ao tom de vozes da realeza. Haveria de ser um cavalheiro, não fossem as armaduras que insiste em vestir, a lhe impedir os movimentos, em prol de tal ato! Deslizaria pelos salões de seus domínios com refinamento, não fossem os desvios de conduta que insiste em manter, enquanto baila! O castelo em que habita é escuro, impossibilitado de possuir janelas que revelem a luz dos dias! Por motivo tal, provavelmente, o bolor domina – na maior parte do tempo – os ambientes, comum a todos os seus súditos, enegrecendo-lhes pensamentos e ações. Sinto a protegê-lo – de ataques sutis, imperceptíveis aos olhos humanos – apenas o olhar atento de Deus! Sua aparente maturidade, não impede cobiça de outrem, por seu poder tão juvenil. Suscetível tornar-se-ia, assim, caso revelasse sua capacidade de recriar a ternura, da qual foi concebido ao nascer! Pedi-lhe, certa vez, que não aumentasse – consideravelmente – os muros que erguera entre nós! Sua negativa em fazê-lo, não foi capaz de impedir o erguimento ágil e igualitário, das minhas próprias trincheiras! Das quais, por vezes – desnecessária e impensadamente – partiram flechas de um arqueiro experiente aos olhos dos homens, aprendiz aos olhos de Deus – cuja trave não retirou dos olhos antes de lançá-las contra o cisco nos olhos do seu aparente opositor! Imagino-o, neste exato instante, caminhando liberto pelas vielas do seu grande e imperioso castelo, ainda com passadas majestosas. Do lado de fora dos imponentes portões, a visão que possuo tornou-se menos estreita que a ponte levadiça, pela qual fui imposta, pelo destino, a sair! Percebo com mais clareza, agora, que o olhar segura a palavra em nós. E que o “Rei dos Unos”- por jamais ter me mirado nos olhos – permitiu o derramamento das palavras no fel do vão, no abandono que desprotege, na passagem sem volta ao mundo real! Sempre compreendo o que faço depois que já fiz. Creio, seja defeito de nascimento, isso! O que não me impede de admitir que “nada sei” sobre grandes acontecimentos e sobre os pequenos, menos ainda. Porém, sobre este príncipe-rei, do qual tentei ser vassala, somente restou ternura imensa por seu desejo de engrandecimento e domínio absoluto! Das terras por onde caminharei livremente, hei de cantar seu nome com ardor indestrutível. Canções que falem da paz que desejei – e que desejarei – lhe cheguem aos ouvidos da alma, eternamente aliviando-lhe de tão inexorável destino!

 

 Pudesse eu, transformar tons de cinza em colorido sutil, o faria dentro dos “olhos-do-mundo-dos-homens”, a  fim de que pudessem resistir aos ventos terrenos, sem que necessitassem se juntar a eles! 

 

Sol:]

Esta sou eu! Repleta de “Sol”, invadida por ventos vindos do Norte, frios, inplacáveis, inconfundíveis geleiras em pó! Ou: meu Sol anda com o termostato quebrado ou… anda ventando demais por aqui! Mas, tudo bem! Vejamos por um lado que é o lado de cá: sou menos “Sol das almas”, menos “Sol de inverno”, mais “ao sol” e de “sol a sol”! Desejo, como todos, um “lugar ao sol” que seja composto , essencialmente de: trabalho operante, esperas operantes, amores renovadores e sombras esporádicas! Que sombra demais resfria, estagna, empobrece e apodrece! Se vivo “entre dois sóis”, acordo e durmo, durmo e acordo, renovando-me. Se resigno-me por demais ao “Sol-posto”, envelheço irremediavelmente. Mas, se “Ao cair ou ao pôr do Sol” o acaso me devora, me assusto. Creio que precise mesmo é de “Fazer o sol”, na maior parte do tempo que na menor parte dele! Ao invés de “Partir o sol” aos duelistas de plantão, cegar suas intenções de inutilidade mórbida e insensatez indescritível! Que “Querer tapar o Sol com a peneira” é pouco recomendável aos que pretendem seguir em frente sem deixar vestígios de descaso nas estradas percorridas. Aprendi e aprendo ainda, diariamente: “Tirar o sol a alguém” é crime de alta periculosidade, cuja pena se estenderá além do Sol e das trevas. “O Sol da Justiça”, creio eu, virá de um Deus infinitamente misericordioso, apagando a bajulação humana, produzida por homens equivocados e suas teorias obsoletas. No mais, que “Tomar o Sol,”(Náut), seja meu roteiro final e definitivo! Geograficamente falando, tenho andado perdida, nas terras dos esquimós. E Papai Noel tem se esquivado de lá, nos últimos Natais. Provavelmente, deve estar láaa pelas bandas do Caribe, com suas bochechas mais vermelhas que nunca! Presença utópica, nas areias escaldantes!

Sol

…brincando de passar o tempo matinal disponível, em parceria divertida com o Michaelis, pois:

Tri 3(…) Gente é para brilhar, não para morrer de fome (..) Gente, espelho da vida, doce mistério”!

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