Ela disse que viria… e veio!
Nada poderá mudar isso… valeu!
Como se chamará… ainda não sabe!
Seus pais são mais que belos… são seus!
Para minha pequena netinha:
Be welcome, pequenina!
Sol:]
Ela disse que viria… e veio!
Nada poderá mudar isso… valeu!
Como se chamará… ainda não sabe!
Seus pais são mais que belos… são seus!
Para minha pequena netinha:
Be welcome, pequenina!
Sol:]
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De espalhar letras no papel. Coloridas, brincalhonas, gordachudinhas ou magricelas. Quando eu era pequena, ganhei uma caneta onde havia quatro cores: verde, vermelha, azul e preta. Foi a descoberta do paraíso. Nas últimas folhas do caderno escrevi cem vezes o meu nome, cada qual de uma cor, cada qual de um tamanho diferente. Como se isto não bastasse, a transição do caderno para o diário se deu num pulo. Se houvesse esperança: verde! Se houvesse decepções: vermelha! Caso tudo voltasse ao normal: azul! Num repente, um luto infinitamente longo: preta! Cores se misturavam num mosaico interminável, absoluto, inenarrável. Como toda euforia, mais cedo do que tarde, se dissolve no ar: passou! Voltei ao velho lápis de guerra, à caneta Bic, ao lápis de cor, ao giz de cera (esporádico, por sua condição de preencher desenhos balofos e ilustrativos). Mas, não por falta da celulose, menos ainda por falta de grafite, que havia letrinhas espalhadas por toda parte, também escritas em giz pelos quadros negros das salas de aulas do primeiro e do segundo andar. Pelo chão do pátio, cimentado e grosso, resquícios de amarelinhas – sem autoria- eram minhas, claro. Nas paredes, nada havia que fosse obra minha. Eram, isto sim, o ponto final de minhas crises letrísticas – e artísticas. Escrever, para mim, sempre foi uma arte. Não aquela que leva à vergões no traseiro, ou à marcas de milho nos joelhos, ou às amargas lembranças dos beliscões. Não! Minhas escrevinhações sempre vinham do coração, passavam por meus pensamentos, saltavam pelos dedos da mão e iam parar direto na contramão da quietude emocional. Hoje, debruçam comigo sobre os quadradinhos pequeninos do teclado esbranquiçado, pulam para dentro de um mundo virtual, rodopiam quase que invisíveis aos olhares mais irrequietos que aflitos – de internautas desavisados. Não há como impedi-las de escapulir entre meus dedos. Mais difícil ainda, é contê-las dentro de um coração amigável, descompassado pela paixão de não conter-se, descontentando-se continuamente a si.
Sol:]
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Para entender de tristeza
Pus na correnteza meu barquinho
Para entender de alegria
Fui seguindo seu curso de rio
Para entender sobre a paz
Encontrei o rio no mar,
E o mar nos meus olhos
Parou de jorrar…
Sol:]
Paro em frente ao teclado, sinto, escrevo parto…
de repente me calo: não há mais nada a ser dito, e isto é fato!
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Menino, que diferença faz?!
Se nasceste ébano ou arco-íris?!
Se em teu olhar, menino, existe,
Toda a pureza de um amor que insiste?!
Sol:]
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Tem uma frase da qual gosto muito: “Agir localmente, pensar globalmente”. Considero uma iniciativa pioneira, a conquista individual, fruto da visão de longo prazo do que pode (e deve) ser feito individualmente, em primeira mão. Acredito que exaustivos trabalhos de articulação política e discussões democráticas sejam iniciados a partir dos valores adquiridos por pessoas que, certamente, obtiveram exemplos palpáveis de ética, sensatez, capacidade de discernimento, quanto à valores e consequentes ações individuais sobre “o todo”, desde a tenra idade. Uma ideia que não morre, colocada em prática isoladamente, caso caminhe de encontro à outras como ela, terá força numa sociedade organizada. Acreditar, mas, inverter a sequência da frase acima é, para mim, a decisiva “não concretização” de toda e qualquer ação possivelmente transformadora. A pergunta que me faço é: quais motivos levam a outrem, insistir em ignorar que tudo – absolutamente tudo- o que acontece globalmente, nada mais é do que o resultado de ações individuais?! Cuja aquiescência às ações praticadas significa sua responsabilidade sobre os resultados obtidos?! Definitivamente, para mim, Agir localmente significa olhar para dentro -e próximo- de si, melhorando-se individualmente, para somente assim obter condições para atuar melhor e globalmente. Pensar globalmente significa observar, analisar o que acontece fora de si, contribuindo de forma positiva – e efetiva- com novas ações que permitam a dissipação de utopias desnecessárias à cura de um planeta que nós mesmos, por nossa provável ignorância -ou descaso- dos resultados, auxiliamos à adoecer.
Sol
Escrevi a partir de algo que meu olhar atento não ignorou. Não basta jogar, observando apenas um dos lados do tabuleiro de xadrez… a não ser, claro, que suicidar-se em meio ao jogo nos pareça a única saída possível. E, acreditem em mim: não é!
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Eu soube sobre tudo num clarão, logo ao chegar em casa. A porta bateu com um som de eco, pesada. Um alívio seguido de um ardor, bem do lado esquerdo do peito. O dia havia sido como todos os outros. Dias santificados por experiências, ora animadoras, ora educativas, ora dissociadas de azuis. O amor vem assim, para mim e talvez, para você, nada disso. Por isso o jeito certo de fazer as coisas foge entre os dedos da minha mão, num ímpeto de mergulhar os dedos pelos cabelos como quem retira restos de cansaço e desalento. Prometi me empenhar mais na minha forma de apresentar o amor, mas, sempre que tento, desfaço em fumaça minhas reais intenções. Na verdade, quero mesmo é sua boca pousada sobre a minha, inicialmente suave, depois, impetuosa, nua, crua. O seu calor e o meu, juntos. Corpos suados de tanto amar, linhas decifradas além da palma da mão. Pois, o que resta além disso não me basta, não me satisfaz mais como antes. Tornou-se um hábito, pernicioso, repetitivo, enfadonho. Ir até a janela e abri-la é o mesmo que destarrachar a válvula de um balão de oxigênio. Necessidade urgente de ar, de escape, de finalização de uma etapa que parece não ter fim. Vens para mim, assim: inacabado, deslapidado, desfocado de qualquer iniciativa. Formatas delicadezas, sim, porém inócuas no quesito integral de amar-me. O rascunho de uma arte final que não sai do papel, não evolui, não se veste de cor. Rabisco no papel o seu rosto, mas, desfiguro mesmo é a mim. Perdi meu eixo ao desenhar sobre o que não criei. Amasso o papel, mas, teu rosto continua nele. Nada ficará no lugar, depois disso?! Terei mesmo que carregar você comigo como o tubarão carrega a rêmora?! Não sei se consigo, meu lorde! Minha sina, se for a solidão de dias ausentes de ti, jamais se empenhará em modificar tais rumos. Fecho a janela e caminho em direção ao chuveiro. Deixo por conta da água o esquecimento de ti e sua imagem se desfazendo como os nós dos meus cabelos. Depois disso, apenas o sono entre lençóis azuis e brancos, tal como desejo sejam meus sonhos sem você dentro deles. A noite cai sobre mim com seu manto enganador. Dormir é minha fuga mais audaciosa de ti!
Sol:]
“Corra não pare, não pense demais
Repare essas velas no cais
Que a vida é cigana
É caravana
É pedra de gelo ao sol
Degelou teus olhos tão sós
Num mar de água clara”
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Hoje acordei com o Sol. Com uma vontade imensa de ficar. A mente descrevendo linhas de tarefas intermináveis, ofícios, ofícios, ofícios. E o coração pedindo Paz. E me deixei ficar, docemente. Sem culpa alguma, sem pressa, sem medo. O prazer indescritível de um café da manhã sem a urgência do relógio é simplesmente fascinante. E um cansaço meio entristecido, de acontecimentos desconexos, recentes, afiados, latentes. Na pele, a sensação de um ardor fininho, ininterrupto, sequenciado. Retalhos malfadados de dias afins. Nos lábios, apenas um leve sorriso, miudinho, estampando lembranças adocicadas, de pessoas adocicadas, de momentos adocicados. Pois os tive, no dia que findou horas atrás. E foram exatamente tais momentos, como que dependurados em forma de sinos de vento, que sedaram uma saudade de casa que não tem tamanho, nem explicação. Refúgio! Todos precisamos de um. Seja uma toca na montanha mais alta do planeta, seja no fundo de um riacho pequenino, seja entre papelões e caixotes de maça, seja de zinco ou de concreto. O João de Barro deve disso, bem saber. Pois constrói o seu, passiva e languidamente. Conheço vários, busco por eles entre as árvores da grande cidade. E são eles que me remetem ao lar, instantaneamente, quando os observo. Só por hoje, só por um amanhecer, me entrego, me dispo, aquieto todos os meus sentidos. Fora, os ruídos de um planeta inteiro. Dentro, uma alma que chora, ri, pressente e desmente: Não, não me sinto só, jamais! Apenas preciso de mim, vez ou outra, para acreditar que possa ser um, sendo um milhão. Apenas para sentir saudades do que não vivi e não me entristecer por tempo infinitamente comprido. A cor dos meus cabelos não nega: o tempo passará por mim como num relógio de compartimento público. Parecerá não acomodar seus ponteiros entre o norte e o sul, mas, irá parar sobre eles, mais cedo do que tarde. Espero que a noite seja estrelada, depois disso…
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Saiu para ver o tempo que ia fora, já que dentro, ele ia moroso, porém irrequieto, indefinido. Passinhos miudinhos, a priori, sem pressa de ir-se. Depois, a rua. Ah, a rua! Sem degraus que servissem de empecilho ao ritmado passarinhar. Pondo de lado os caracóis dos cabelos, nada pôde fazer foi com o emaranhado de pensamentos que lhe feriam todo o entendimento. O dia seguinte, o dia após o seguinte. Nada mais besta e impertinente que programar sentimentos ao que nem ao menos acordara, ainda. Dormitava na indefinição, na incerteza, na incompetência do que não foi, mas quê, certamente, haverá de ser. Melhor mesmo era continuar minguando os dedos no bolso apertado do jeans desbotado. O tênis amarelecido pelo uso caia bem com o chão enegrecido de fuligem e lama. A finura dos pingos da chuva no cabelo trazia frio e arrepio, na mesma proporção. “Ruas são linhas”, pensava. “Linhas condutoras do bem e do mal”. “Linhas grossas, arreganhadas, dispostas a acolher viajantes descuidados e imprecisos, como eu”. Lembrou-se da ousadia despudorada, do abandono de edredons macios, na cama desalinhada pelo rolar do cansaço de dias e noites mal dormidas. A vida é mesmo assim. A todos prende num comodismo afável, de aparente retidão e descontinuidade: o lar! Mas, vem o vento nos cabelos do pensamento, arrebata tudo o que parece exato e remete inquietudes ao doce desassossego do urbano, ao infalível tumultuar de ideias, ao arrebate de almas, ao auspicioso momento de lançar sonhos no escuro do mundo. Passarinhemos, então! Eu, tu, ele. Nós, vós, eles: passarinhemos! Que a vida é curta, o trajeto longo, e a chegada definitivamente misteriosa. Passarinhemos, pois, que doce fortuito é podermos, todos, enfim, passarinhar!
Sol:]
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Queria plantar. Queria um pé de árvore. Ou dois. Ou uma porção… tanto fazia. “Tudo é pé de alguma coisa mesmo!”, pensava. Lembrava insistentemente dos Baobás. Mas eles acabariam por ocupar espaço considerável. Dava para ser eucaliptos, também. “Não! Eles tornariam a terra árida… melhor não!”. “Bananeiras?! Bananas?!”. Não gostava de bananeiras, tampouco de bananas. Acabou por providenciar acerolas. Pensou: “Acerolas têm vitamina C. Pronto, tá decidido: a-ce-ro-las”. E plantou uma quantidade considerável. No início, quando elas começaram a brotar, eram até bonitinhas. Faziam companhia para os canteiros de alfaces, cebolinhas e couves (quando havia couves, pois, as formigas, rápidas que eram, delas fazia seu café da manhã, almoço e jantar). Mas, como acontece com todos e quaisquer tipos de “pés”, cresceram. E as acerolas tingiram de vermelho as folhas miudinhas. Da varanda da cozinha, era belo de se ver: arvorezinhas baixinhas, carregadinhas, carregadinhas… de acerolas vermelhinhas, vermelhinhas. E eram tantas delas, que na geladeira não mais espaço havia. Ela pôs-se a pensar: “Preciso encontrar um jeito de me livrar delas!”. Encheu um balde com elas e foi pela vizinhança, caminhar. Bateu palmas num portão, num outro, num outro… Ouviu o mesmo discurso: “Queremos não! Tem uma porção no nosso quintal! No nosso quintal, na geladeira, no fogão. Compota de acerola, suco de acerola, bolo de acerola. Ah, não! Queremos saber de acerola mais não!”. Retornou à casa com acerolas nas mãos, na mente e até no coração. Este, doía, doía! Quando as plantara, ele ainda estava por perto. Cuidava de levá-las para fora do lar, para os amigos dos jogos de peteca. Para os amigos dos vizinhas da sua mãe. Para a irmãs vindas do interior. Para a fábrica de sucos, do bairro onde nascera. Sentava-se com ela à noite, quando a casa toda dormia. O calor que o verão trazia, não impedia o abraço das mãos, dos pés, no banquinho da varanda, da varanda da cozinha. Observavam com gosto, entre um beijo e outro, os pés de acerola que havia. Mas agora, entre dias e noites, noites e dias, a ausência dele, ardia. Vermelhos mesmo, ficavam os olhos dela. Num bordado de veias fininhas, fininhas. Ressecavam a alma, o rosto, a vida. Não precisou mais do gosto da esperança e fé no céu da boca. Juntou suas forças, e coisas, e partiu. Da aridez, bastava o vazio que ali se criou. Abandonadas, as acerolas transformaram-se em pé-de-raiz. Pé-de-raiz, raiz se criou! Raiz sem os frutos, raiz sim senhor!
Sol:]
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